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BLASFÉMIAS | A Blasfémia é a melhor defesa contra o estado geral de bovinidade
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Imobiliária Janus

25 Junho, 2018

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No debate parlamentar da semana passada António Costa acusou Assunção Cristas de ter provocado uma calamidade no país com a lei do arrendamento de 2012. É uma afirmação bastante dura que me deixa ligeiramente confuso. Por um lado, como sabemos, a primeira coisa que António Costa faz quando uma calamidade se abate sobre o país é ir de férias para Espanha – e eu não me lembro que tenha feito alguma viagem quando a legislação de Assunção Cristas foi aprovada; por outro lado, como também sabemos, a estratégia seguida por António Costa diante de uma calamidade é não fazer nada até que ocorra uma segunda – e esse princípio parece estar a ser cumprido neste caso, uma vez que este Governo está em funções desde 2015 e ainda não tocou nos aspectos essenciais dos diplomas em causa. Os sinais são, por isso, contraditórios: a ausência de repouso no estrangeiro afasta a hipótese de ter ocorrido uma catástrofe, mas a presença de repouso nos gabinetes ministeriais sustenta o cenário mais sombrio.

Se o nosso primeiro-ministro fosse praticante da arte do descaramento, atrevia-me a dizer que estamos na presença de jogo duplo: enquanto se aproveita dos múltiplos benefícios da lei (fim da expropriação encapotada dos proprietários, reabilitação das cidades, promoção do investimento, renascimento da construção civil, fomento do turismo, crescimento económico, redução do desemprego, etc.), trata de empurrar para terceiros as responsabilidade pelas suas consequências negativas. É sempre uma boa estratégia. Ainda ontem, quando descobri que o miúdo tinha conseguido, depois do cocó vespertino, arrancar a própria fralda, me virei para a minha mulher, com cara de enjoo, e atirei: “já viste o que o TEU filho fez?” Infelizmente, o sentido ético de António Costa não lhe permite estas jogadas rasteiras, o que complica em muito o desempenho do cargo. Esperemos, para seu bem, que nunca lhe faltem os toalhetes.

 

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É uma espécie de sinergia: “Id hacia aguas españolas y aviso a Salvamento Marítimo”

25 Junho, 2018

Como um traficante de pessoas em Marrocos explica o seu trabalho: «Todo depende del presupuesto. Por 7.000 dirhams (631 euros) organizo convoys hacia Europa, con todo el material necesario para navegar (se refiere a una toy para siete personas y cámaras de neumático o chalecos de juguete a modo de salvavidas), seguridad a pie de playa y un mafia taxi que los deja al borde de la playa. A partir de ahí yo le voy indicando al grupo cómo deben actuar para que consigan tocar el agua. Después les digo que esperen 30 minutos, hasta que salgan de las aguas marroquíes, para avisar a Salvamento Marítimo».

Em resumo ele coloca as pessoas num caixão flutuante em aǵuas marroquinas e depois avisa as autoridades espanholas para as irem salvar.

Onde estava António Costa quando se discutiu a imigração em Bruxelas?

25 Junho, 2018

João Marques de AlmeidaO PM não encontrou tempo para ir a Bruxelas a uma reunião sobre um tema crucial para o futuro da Europa, mas vai hoje à Rússia assistir a um jogo do Mundial. Entre o futebol e a política europeia, Costa escolhe o que lhe dá mais popularidade.

por muitos e bons anos

24 Junho, 2018
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Entre a edição do meu último post, há um par de horas, e este que agora publico, fui jantar com a minha filha, e, durante o repasto, recebi a notícia de que Bruno de Carvalho, nem 24 horas depois de suspender vitaliciamente a sua condição de sócio, anunciou a sua candidatura a presidente do Sporting! Já me tinha causado alguma estranheza essa figura jurídica da «suspensão vitalícia», que Carvalho tinha ontem anunciado. Uma suspensão indicia sempre um possível retorno, mas o termo «vitalício» fez-me lembrar o inesquecível «irrevogável» do dr. Portas, um outro grande artista português de variedades, cuja ausência muito se tem sentido. Fiquei então ciente de que Bruno regressaria, para gaudio de nós todos, alegria da pátria e, principalmente, para a boa saúde financeira do Correio da Manhã e do grupo Cofina. Mas o que não poderia prever é que ele regressaria antes mesmo de nos ter deixado, o que constitui um novo paradoxo nacional. Mas foi o que ele fez. Exactamente enquanto a minha filha comia meio frango de churrasco e eu aviava uma bela posta de bacalhau à lagareiro.

Pois bem. É uma verdadeira deslealdade para todos os comediantes profissionais uma instituição oferecer-nos, ainda que generosa e desinteressadamente, um património desta riqueza: um mafioso de urinol como o Bruno de Carvalho, um substituto que esmigalha vidros de carros de luxo com garrafas de água, um Sobrinho que se tem de enfiar nas retretes para não levar no focinho, a oratória do “Jasus”, um ataque do Daesh indígena para dinamitar o seu próprio património, Santana Lopes, um banqueiro falido a explicar como se gerem empresas, um treinador nazi, o Octávio Machado, Marta Soares, Ferro-caga-para-o-segredo-de-justiça-Rodrigues, os chineses do Futre, eu sei lá!

Há uns dias escrevi que o Sporting era um «um saco de lacraus». Foi um injustiça. É apenas uma troupe circense que não desiste de nos divertir. Que Deus Nosso Senhor os poupe por muitos e bons anos.

um outro nível

24 Junho, 2018
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Quando pensava que nos íamos deixar de divertir com o Sporting, julgando que o clube passaria a ser dirigido por um tipo focinhudo e sem graça, como o Sobrinho ou o Ricciardi, tenho de confessar que me enganei: o regresso do saudoso Sousa Cintra, cuja entrevista à TSF, interrompida por um «lapso» com uma garrafa de água, ficará para sempre nos anais da comédia, é a garantia de que novos e melhores dias aí virão. Não deixando por mãos alheias os seus créditos, Cintra começou já hoje a prestar declarações públicas: “Aqueles que saíram, acho que bem possam voltar”, disse sobre os jogadores desertores. Soubesse eu disto há mais tempo e não teria senão apelado à defenestração leonina de Bruno de Carvalho. É que isto é um outro nível de comédia.

Parem com essas lágrimas de crocodilo!

24 Junho, 2018

Perdoem-me mas é absolutamente insuportável ouvir certas figuras políticas falar sobre a tragédia de Pedrógão Grande! Com  ar sério fingindo-se preocupados e emocionados com aquele fatídico dia vêm passados 365 dias dizer alarvidades como se os portugueses fossem um bando de estúpidos sem qualquer capacidade de análise. Continuamos com o mesmo SIRESP apenas com umas “melhorias” e  com a mesmas cláusulas vergonhosas que desresponsabilizam em caso de catástrofe; continuamos com 60% de casas por reconstruir; continuamos com vítimas sem água nem luz nem apoio psicológico; continuamos com os mesmos “boys” incompetentes na ANPC; continuamos em meados de Junho sem prazo de entrega de viaturas à GIPS e GNR  para combates a fogos; continuamos sem saber onde estão os donativos; continuamos sem saber porque o Estado compra mais 4 Kamov por ajuste directo depois da experiência desastrosa com esse equipamento; continuamos sem saber porque o  Estado ainda não foi formalmente acusado por negligência depois de três inquéritos independentes que o comprovam. Francamente!

Como se isto já  não bastasse vem o Primeiro Ministro afirmar que “Portugal devia ter estado mais alerta a tempo e horas para evitar Pedrógão” quando foi ele próprio como ministro da Administração Interna que fragilizou o SIRESP alterando clausulas para diminuir custos. Foi seu comparsa Lacerda Machado o autor do brilhante texto que transformou o SIRESP naquilo que ele é hoje – uma nulidade absoluta – com a colaboração de Constança Urbano!! Foi ele também que acabou com os guardas florestais! Foi ele que já primeiro ministro autorizou que gente sem qualquer habilitação para o cargo – professores do ensino básico, advogados, licenciados em Desporto e Lazer, enfermeiros –  integrasse as chefias do ANPC. Foi ele que fez os negócios ruinosos dos Kamov. Foi ele também que rumou para Ibiza enquanto Portugal ardia e morria gente e no regresso foi a correr fazer um Focus Group para avaliar sua popularidade e vem agora dizer que se podia ter evitado Pedrógão como se a culpa fosse dos proprietários dos terrenos que ele fez o favor de perseguir em vez de ajudar?! É preciso realmente fazer de nós todos parvos.

Por outro lado, Marcelo sempre politicamente correcto, a deixar a mensagem outra vez que tudo foi feito – claro, até os políticos foram roçar mato, coisa nunca antes vista – que todos manifestaram empenho e fizeram tudo o que era possível (e de facto o empenho foi tão grande que há bens e dinheiro  doados sem controlo nenhum e até perderam rasto a donativos). Que  “Houve um Portugal metropolitano que acordou para os “Portugais” desconhecidos, os “Portugais” do interior, que são vários. Começou a acordar em Junho e depois continuou a acordar em Outubro”. A sério?!! Como acordar se nunca dormiram sobre o assunto? O abandono do interior é um facto perpetuado ao longo de décadas por não trazer votos. Todos sabemos que poderá continuar a arder, poderá continuar a despovoar, que  o abandono às gentes do interior não vai acabar. Porque aos olhos dos políticos, quem não compensa eleitoralmente é simplesmente ignorado. Vão mas é mentir para longe!

Entretanto,  a lista  de arguidos de Pedrógão que não pára de crescer, não tem um único político  ligado ao governo, como muito convém. Nem mesmo Valdemar Alves, o Presidente da Câmara de Pedrógão Grande durante a tragédia faz parte dela como deveria. Esse, quase que por “milagre”, livrou-se de boa ao contrário dos outros autarcas. Há gente com “sorte”.

Se tudo está a ser feito é no sentido contrário ao que deveria ser. É para encobrir quem de facto teve responsabilidade e incriminar apenas a arraia-miúda. Arrastar depois o processo até entrar no esquecimento com uma condenaçãozita sem importância nenhuma. Fingir depois que nunca se fez tanto pela prevenção e combate aos fogos quando na verdade estão apenas a aplicar as mesmas fórmulas  desastrosas com cosmética. Para depois, caso se registe nova tragédia, com lágrimas de crocodilo no canto do olho, dizer: “fizemos tudo mas as alterações climáticas, os eucaliptos, os raios, os proprietários com as matas por limpar,  são culpados”. Outra vez. Eles? Nunca têm culpa de nada.

 

A política da miragem

24 Junho, 2018

Depois de nos anos 70 terem trauteado “A África é dos africanos” agora se pudessem despovoavam essa mesma África para através da imigração alimentarem o activismo do ressentimento. Tudo isto acontece num momento em que os políticos entendem que os povos têm os problemas que eles políticos determinam que existem. Eles não governam. Animam miragens. A imigração é uma delas. Mas para lá da miragem está o óbvio: receber imigrantes/refugiados num país tolerante com estado social não é um elemento neutro nesta operação.